Projeto Paisagens Sonoras - Celular como material didático no processo criativo.

24/11/2008 13:26

Sugestão de conteúdo relacionando som e imagem para a aula de Metodologia Visual, da Escola de Belas Artes - UFRJ  e a utilização do celular, dentro de uma dinâmica de aprendizagem em sala de aula.

 

Objetivo

Utilizar mídias digitais para a reflexão crítica do uso da imagem e do som na sociedade contemporânea.

Estimular a análise imagética, a partir de fotografias tiradas com a câmera do celular, pelos próprios alunos.

Estimular uma leitura sonora atrelada à leitura imagética.

Trabalhar a fotografia com o uso do celular.

Trabalhar o som através da gravação de áudio com o uso do celular.

Refletir sobre o imediatismo e o descartável.

Refletir sobre a necessidade suprema da imagem em meio a uma sociedade também extremamente sonora.

Conceitualizar espaço, tempo e memória na criação artística, durante a própria experiência dos alunos.

 

O objetivo do trabalho é redefinir[1] a natureza temporal cotidiana através da convergência entre imagem e som. Através do congelamento da imagem, já que utilizaremos a fotografia, enquanto o som daria o movimento, fazendo parte da atmosfera da apreciação estética. Assim trabalhar ambos de forma fluida é necessário.

 

 

Metodologia

A representação da vida contemporânea ancora-se muito mais no sentido da visão do que na capacidade da escuta: enquanto primeiro abarca, simultaneamente, tudo que se opõe à frente dos olhos, a audição parece fragmentar, no espaço e no tempo, os estímulos sensoriais que chegam ao ouvido, elegendo apenas como relevantes se descartando a maior parte dos sons como não significantes, tornando-os assim inaudíveis no domínio da cultura.

Barulho do mundo (Catálogo do coletivo Chelpa Ferro) – Moacir do Anjos 

A metodologia de trabalho durante a aula, parte da pesquisa que será feita pelos alunos, nos intermédios da relação entre som e imagem. O trabalho intitulado de paisagens sonoras visa a resignificação da imagem atrelada ao som, criando novas possibilidades de unir uma ao outro, sem necessariamente o som pertencer à imagem no cotidiano que ela foi captada.

A turma seria dividida grupos, mas a idéia é que todos os alunos fotografem e façam a captação de áudio. O celular utilizado seria disponibilizado pela instituição, o modelo utilizado seria o Gradiente G760, ou seria disponibilizado por algum aluno que possuísse um celular captador de som e imagem. E a partir das fotografias, de temática livre, nós discutiríamos o poder da imagem como objeto comunicador e facilitador, e sua releitura a partir da utilização sonora. As captações sonoras seriam feitas a partir do cotidiano dos alunos, assim como as fotografias. A escolha da temática tanto do som quanto da captação da imagem é aberta, visando à autonomia dos alunos em relação às muitas possibilidades de se trabalhar com ambas.

Ao final da execução dos trabalhos, criaríamos um site na internet chamado multiply (www.multiply.com), que possibilita a convergência entre imagem, som e texto, onde colocaríamos as fotografias e os sons captados, junto a isso cada aluno criaria um texto falando sobre o seu processo artístico. Para essa parte final do trabalho utilizaríamos o próprio laboratório de informática da EBA. A idéia é utilizar a mídia da internet como amplificadora da experiência artística, de livre acesso, o multiply traria à tona a discussão mobilizada em sala de aula.

As referências de artistas que trabalham com o conceito de imagem e som seriam expostas para a turma através de livros, de sites, e de filmes. As referencias seriam dadas e discutidas no inicio da aula, antes de iniciarmos as pesquisas sonoras e visuais dos próprios alunos. 
 
Referências artísticas

Filme - Me and you and everyone we know (2005 – Miranda July)

Ambientando num subúrbio de Los Angeles, o filme acompanha a trajetória de Richard (John Hawkes), um vendedor de calçados que vive a separação no casamento e se vê às voltas com a criação dos filhos. Em seu caminho, aparece Christine (Miranda July), uma artista performática que usa sua arte como forma de aproximação com as pessoas.www.meandyoumovie.com/

Luigi Russolo – Futurismo, manifesto do som.http://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Russolo

John Cage, Fluxus

Eventos sonoros que contrariavam as convenções oriundas da área da música. Ruídos coletados ao acaso, elementos comuns ao visível. http://pt.wikipedia.org/wiki/Fluxus

Chelpa Ferro

Coletivo brasileiro que desenvolve interferências sonoras, visuais e performáticas atreladas a conceitos artísticos. www.chelpaferro.com.br/

Max Neuhaus

Sugere que a natureza temporal do som é capaz de redefinir a compreensão de um determinado espaço, indicando impossibilidade de confirmar o conhecimento de algo a uma dimensão investigativa isolada.http://www.max-neuhaus.info/ie.htm

Conclusão

A experimentação sonora e visual proposta para a aula, se fundamentam a partir do uso de uma mídia móvel e contemporânea, o celular, para estabelecer as possíveis interfaces de releituras das múltiplas formas de se expressar, que criamos nos dias atuais. A proposta é desenvolver a fruição estética através do processo criativo dos alunos.



Max Neuhaus

¹ Sugere que a natureza temporal do som é capaz de redefinir a compreensão de um determinado espaço, indicando impossibilidade de confirmar o conhecimento de algo a uma dimensão investigativa isolada.http://www.max-neuhaus.info/ie.htm

 

Aluna: Juliana Borzino

 

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